sábado, 17 de setembro de 2011

Ser-primavera

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"Sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela... Exatamente porque nunca são as mesmas flores."
Clarice Lispector


Sejamos então assim... A cada novo dia de uma forma diferente, mantendo a mesma essência. Manter a mesma essência, mas veja! mudar a cada dia, ter novas alegrias e sim, aprender com os erros, com as lágrimas e com os desvarios... De tudo tiramos aprendizado, algo para se ter consigo e não se repetir. Ou se repetir, e saber remediar. Assim é a vida-primavera. Fazendo florescer os campos outrora secos e desprovidos de perfume. Alegrar os passarinhos, outrora tão magrinhos. Reviver toda a natureza, dando-lhe toques de pura beleza. Assim é ser primaveril.


sábado, 4 de junho de 2011

Terapia chocolamental

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Eu estava numa tarde fria e chuvosa consultando o terapeuta  - uma enorme panela de brigadeiro -, e me pus a pensar em como as coisas vão e vêm sem razão nem porquê. Em como a vida é incerta, e muitas vezes, injusta. Injusta sim. Porque quando tudo parece se ajeitar vem uma porrada que lhe acerta a cara e parece dizer: acorda! isso aqui não é um conto de fadas estúpido! Levanta garota e vai ver que lá fora o céu está nublado e teu sol se apagou. Mas eu ainda insisto em enxergar uma luz mesmo que bruxuleante por detrás das densas nuvens que cobrem meu riso. E então, por que não arriscar a sorrir?
Aí olho para a panela de brigadeiro que está no meu colo a me olhar... Sabe, junto com todo o chocolate que me invade, vem também a ânsia de ter respostas para perguntas as quais a maioria das pessoas que conheço se fazem todos os dias. Sem respostas. Silêncio. Chocolate. Chuva. Dor de cabeça, de estômago, de amor, de coração. Agora até mesmo meu terapeuta se foi me deixando aqui ainda agoniada e com vontade de uma barra enorme de algum outro chocolate, só que dessa vez do mais amargo... Só para equilibrar com o amargor que se tornou meu sentir. O frio que faz lá fora não é nem metade do que parece me acometer por dentro. Sensações já tão conhecidas, ah.. minhas velhas amigas de tempos passados.
Agora, sem terapeuta, sem doce, sem lembranças, sem respostas. Ainda com dor, frio, e um gosto de chocolate recheado de passado - daqueles que não passa -, nos lábios já tão acostumados a se manterem vazios. Ah, vou no mercado comprar mais terapeutas. Dessa vez de todas as espécies, porque talvez algum deles tenha as respostas que tanto quero. A chuva parou de escurecer o meu Sol, mas agora já é noite e logo logo as estrelas surgirão trazendo-me boas novas. Ou não. Talvez até mesmo elas tenham se cansado dessa vida sem sentido e cheia de perguntas vazias... Talvez até mesmo o céu tenha se cansado de toda essa rotina que não abandona o tédio. Chego no mercado, olho as prateleiras, não há terapeutas. Acho que outros como eu também procuravam por respostas.

Laura Ribeiro

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Preludio para o fim

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Não encontrei imagem melhor... Desculpem, eu só não poderia postar a verdadeira imagem. A lembrança me dói demais. Ainda me queima os olhos essas lágrimas triçoeiras que eu me recuso a derramar!
 O coração batia-lhe descompassado. Estava a poucos minutos de ver o seu amor. Sentada no banco do shopping, conversava com a amiga que estava tão animada quanto ela e lhe dizia para se acalmar, ele viria. Mas eles estava atrasado há uma hora e meia! Ela pensou... Que primeiro encontro trágico. Ele não viria na certa. Viajara quilômetros por causa dele, a pretexto de seguir a amiga numa viagem. Era para segui-la sim, mas no fundo, no mais íntimo de seu coração desejava, ansiava por vê-lo. Então como que para procura-lo novamente entre a multidão, se virou e se deparou com aquele sorriso encantador... Ah! como era lindo, ela pensou. Estou mesmo vivendo a realidade? Estou sonhando, só pode! E talvez estivesse mesmo porque era tão mágico, como se fosse um encontro depois de anos de afastamento, como se fosse algo proibido, um romance daqueles de filme ou novela. Era-lhe impossível descrever a felicidade.
Ele se aproximou, deu-lhe um beijo na fronte e se desculpou pelo atraso, do qual aliás, ela já se esquecera. Então, a amiga decidiu dar uma volta e os dois seguiram para um lugar mais calmo onde pudessem conversar... Ele estava todo feito em sorrisos e galanteios e ela, em suspiros d'amor! Então como num conto de fadas, de frente para o gigantesco e belo mar, o primeiro beijo aconteceu. Foi o mais longo e lindo que se seguiu. O eterno e doce beijo.
A tarde não poderia ser melhor e os dois tanto tinham a conversar, tanto tinham a viver!
Mas era a hora triste da despedida, prestes a anoitecer... O último beijo. O prelúdio para o fim. Nunca mais se viram, nunca mais conversaram tão linda e apaixonadamente como naquela tarde que passaram juntos. Não sabiam, mas a distância lhes seria cruel e inquisidora do tortuoso sofrer. Foi pela distância e pelo silêncio que o amor de ambos, veio a fenecer...

E as sensações daquela tarde linda ficaram apenas na lembrança. Guardadas no coração e nas fotografias que tiraram. Como seria bom se pudesse voltar atrás e dizer naquele momento o quão feliz estava! Como seria bom se palavras sinceras não assustassem tanto. Mas um coração fechado para o amor, não poderia entender sequer o que um outro tão acostumado a nutrir este sentimento estava a lhe dizer. E assim foi, o triste fim.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Felix

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Em latim, a palavra Felix (genitivo Felicis) queria dizer – originalmente- “fértil”, “frutuoso” (“que dá frutos”).

A felicidade está nas pequenas coisas, nos pequenos momentos, nas pequenas lembranças. Felicidade não é sinônimo de riqueza material, pois o ouro corrompe e a única riqueza que nos faz sorrir são os sonhos, os amigos, a família. A vida não é cor-de-rosa, não. Existem outras cores no mundo e elas não surgiram com bandinhas pop.
Ser feliz não é ser querido por muitos, isso é um tanto de egocentrismo; Ser feliz não é ter bebidas e guloseimas na geladeira, roupas no armário e um carro na garagem, isso chega a ser satisfação material; ser feliz não é se sentir “bem”, isso se chama conformismo; ser feliz não é ESTAR feliz, isso é apenas um estágio emocional que logo se desvanece como uma leve brisa que passa.
O que seria então, a felicidade?
Felicidade, s.f. 1. Qualidade ou estado de feliz. 2. Ventura. 3. Bom êxito.
Não, a felicidade não é essa significação toda de dicionário que não nos serve para nada.
Tantos pensadores se puseram a buscá-la nos campos do saber; Cientistas buscaram-na nos ramos de estudos e pesquisas; e tantos outros desistiram de encontrá-la. No entanto, a Felicidade consiste em acordar e se sentir um ser de sorte só por poder se deliciar com os raios luminosos do Sol; Ser feliz é sorrir a cada vez que olhar a si mesmo (a) e descobrir bons sentimentos; Sentir fluir nos dedos as lembranças de momentos mágicos; deitar sobre uma rede e dar forma a cada uma das nuvens tão alvas no céu azul; deliciar-se com o sorriso inocente de uma criança; ver o mistério divino em cada ato da natureza, mesmo que não se acredite.
A felicidade consiste em estar bem consigo mesmo (a). Afinal só a encontramos quando paramos para nos observar e corrigir aquilo que não nos agrada. À medida que nos tornamos pessoas melhores e honestas para conosco, aprendemos a enxergar a plenitude das coisas onde nossa felicidade talvez esteja escondida.
Posso dizer que ainda não tenho a minha, embora já saiba como adquiri-la, talvez. É que não adianta obtê-la se o nosso coração não está preparado para acolhê-la. É como acomodar doces em um frasco contendo resquícios de um líquido amargo, acaba contaminando os doces também. O que posso fazer é olhar em meu interior e mover as peças erradas, cuidar de meu coração para que um dia a felicidade possa habitar nele.
Como disse o poeta uma vez, não corra atrás das borboletas, mas sim, cuide de seu jardim para que elas possam vir habitar nele. Assim é com a felicidade.
E você? O que faz para ter a sua? Pense. Reflita. Pense de novo. Nunca é tarde demais para limpar e cuidar de seu jardim.

Laura Ribeiro
01/12/2010

sábado, 29 de janeiro de 2011

Black Rose Immortal

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[...]

Sobre águas turbulentas as memórias pairam
Infinitamente, procurando por dias e noites
A luz da lua acaricia uma colina solitária
Com a calma de um sussurro

Visto uma alma nua
Um semblante pálido na água fluente
Está frio aqui
A geada marcou meu casaco com o pó

Os olhos que se fixam no teu mudo retrato
Nós falávamos apenas por pensamentos
Juntos nós contemplamos, e esperamos
As horas trouxeram a sede e o sol nascente
[...]
Não vire o rosto em minha direção
Confrontando-me com a minha solidão
Você está numa floresta desconhecida
O pomar secreto
E a tua voz é vasta e acromática
Mas ainda tão preciosa

A canção de ninar da lua crescente te levou
Hipnotizado, seu semblante caleidoscópico
Presentou-te com um olhar vazio
Outra alma dentro do rebanho divino
[...]
Está escurecendo novamente
O anoitecer se move por entre os campos
As árvores noturnas lamentam, como se soubessem
À noite, eu sempre sonho contigo.

Opeth - Black Rose Immortal

Essa é uma letra que quase me deixa n'um profundo transe nostálgico. É impressionante como nossa mente pode reter informações que não desejamos, ou que nem imaginamos que podemos guardar durante tanto tempo. Ouvi essa música e decidi procurar pela letra porque fiquei curiosa e me deparei com uma poesia das mais emocionantes! Cada palavra, cada verso fazem tanto sentido pra mim. Como se a cada dizer eu visse a mim mesma atravessada nestas belas linhas...
Realmente agora parece escurecer e a Lua não está no céu. Mas eu sempre sonho contigo meu amor, até mesmo quando estou acordada e a vida ainda reside em meu olhar... Meus pensamentos estão todos voltados a você, mesmo que você pareça não perceber. Da nostalgia mais recente tiro teus lábios doces e teu olhar encantador. Tiro teu abraço caloroso e teu lindo sorriso lunar. Das lembranças mais frescas eu retiro a tua presença fantasíaca e teu existir tão utópico ainda que real... Presente ainda que distante. Distante ainda que próximo do meu coração. Só não entendo por quê nosso céu escureceu tão bruscamente. E por quê teu riso se encolheu feito a Lua a minguar... Por quê?